Clubes da Série A e B aprovam diminuição gradual de atletas de fora, buscando valorizar a base e aumentar a intensidade de jogo no Brasil.

Em uma decisão que marca uma guinada no futebol nacional, os clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro aprovaram recentemente a redução gradual no limite de jogadores estrangeiros por partida. A medida visa principalmente abrir espaço para atletas formados nas categorias de base, contrastando com a tendência de algumas das principais ligas europeias que flexibilizam a presença de atletas de outras nacionalidades.

A mudança estabelece que o número de estrangeiros permitidos por jogo diminuirá de nove para cinco até o ano de 2030, um movimento estratégico da CBF para reverter o cenário de baixa participação de jovens talentos sub-23 e a menor intensidade de jogo observada no Brasil, em comparação com campeonatos de alto nível na Europa. A aprovação ocorreu nesta segunda-feira, 21, e já mobiliza o debate sobre o impacto no perfil das equipes brasileiras.

A CBF justificou a proposta baseada em estudos comparativos com ligas como a inglesa, espanhola, alemã, italiana e francesa, que apontam para uma crescente presença de estrangeiros no futebol nacional e um menor volume de corridas em alta velocidade por atletas jovens no Brasil, conforme informação divulgada por Estadão Esporte.

Redução de estrangeiros: entenda a nova regra no Brasileirão

A nova regra estabelece um processo de diminuição progressiva de jogadores estrangeiros nas equipes brasileiras. Atualmente, os clubes podem relacionar até nove atletas de fora do país por partida nas competições organizadas pela CBF. Esse limite será ajustado anualmente até chegar a apenas cinco estrangeiros por jogo em 2030. Esta decisão representa uma inversão na política recente, já que o limite de estrangeiros teve sucessivos aumentos na última década, passando de três em 2013 para os nove atuais em 2024.

Contraste europeu: como as grandes ligas gerenciam estrangeiros?

Enquanto o Brasil aperta as regras, muitas ligas europeias adotam abordagens distintas. A Premier League, na Inglaterra, por exemplo, não limita o número de estrangeiros em campo, mas incentiva a formação local exigindo que oito dos 25 jogadores da lista principal sejam “homegrowns”, ou seja, revelados por clubes ingleses ou galeses. Na La Liga, na Espanha, o controle se dá pelo limite de três jogadores extracomunitários por elenco e partida, com exceções para atletas de países do Acordo de Cotonu. Mesmo sem regras específicas para a base, a liga espanhola tem um histórico de revelar grandes talentos, como Lamine Yamal e Pau Cubarsí do Barcelona.

A Bundesliga alemã não impõe teto para estrangeiros em súmula, mas exige que 12 jogadores sejam alemães e oito formados no país para a inscrição do elenco. Já a Serie A italiana foca nas transferências, permitindo apenas dois novos extracomunitários por temporada e exigindo quatro atletas da base do próprio clube e outros quatro formados na Itália no elenco. A Ligue 1 francesa limita a quatro extracomunitários por elenco, mas o Acordo de Cotonu flexibiliza essa regra para muitos atletas africanos, sem exigências para jogadores da base.

Jair Ventura e a valorização da base no futebol brasileiro

A discussão sobre a presença de estrangeiros no futebol brasileiro também abrange os profissionais de outras nacionalidades, como treinadores. O técnico Jair Ventura, do Vitória, comentou sobre o tema afirmando que “É ignorância pensar que o passaporte define se um técnico é melhor que o outro”, em análise sobre a presença maciça de profissionais estrangeiros no país. A CBF, por sua vez, argumenta que o Brasil precisa criar mecanismos para dar mais espaço a jogadores da base, pois a média de idade do Brasileirão é de 28,5 anos.

Dados da entidade mostram que atletas sub-23 registraram apenas 13,8% dos minutos disputados na Série A, percentual significativamente inferior ao de ligas como França (38%), Inglaterra (32%), Espanha (31%), Alemanha (28%) e Itália (28%). O estudo da CBF também aponta que o Brasileirão tem menor volume de corridas em alta velocidade e de sprints, métricas onde jogadores entre 18 e 24 anos geralmente se destacam, sugerindo uma relação direta entre o perfil de contratações e a performance física do campeonato.

Perguntas Frequentes

Por que o Brasil vai reduzir o limite de estrangeiros no futebol?

O Brasil vai reduzir o limite de estrangeiros para valorizar e abrir mais espaço para jogadores formados nas categorias de base, além de buscar aumentar a intensidade e a performance física do Campeonato Brasileiro, que apresenta menor participação de atletas sub-23 e volumes de corrida inferiores às ligas europeias.

Quais as novas regras de estrangeiros no Brasileirão a partir de 2024?

A partir de 2024, o limite de estrangeiros por partida, atualmente em nove, será gradualmente reduzido. Em 2030, os clubes das Séries A e B poderão relacionar apenas cinco jogadores estrangeiros por jogo, marcando uma mudança significativa na política de contratações.

Como as ligas europeias lidam com jogadores estrangeiros em seus campeonatos?

As ligas europeias têm abordagens variadas. A Premier League não limita jogadores em campo, mas exige "homegrowns" no elenco. La Liga e Ligue 1 limitam extracomunitários com exceções do Acordo de Cotonu. Bundesliga e Serie A não impõem limites por jogo, mas controlam a nacionalidade no elenco ou as transferências anuais, visando a valorização de atletas locais e da base.

Qual a opinião de Jair Ventura sobre a presença de profissionais estrangeiros no futebol brasileiro?

Jair Ventura, técnico do Vitória, opina que "É ignorância pensar que o passaporte define se um técnico é melhor que o outro